Luís Vaz de Camões, “Busque Amor novas artes, novo engenho” / “May Love seek out new arts, devise a plot”

[ PT – Português ]

Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n’alma me tem posto.
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e doi não sei porquê.

Luís Vaz de Camões, 1595

Fonte – poema original em Português e traduzido para Inglês [aqui].

[ EN – English ]

May Love seek out new arts, devise a plot
to kill me, and discover new disdain;
for robbing me of hope will be in vain,
since it can scarcely take what I’ve not got.

Behold the kind of hopes on which I stand!
And see how perilous my certainties!
For I fear neither change nor enmities,
ploughing the sea, lost far from any land.

And yet, although one cannot pay grief’s toll
where hope is gone, still Love has hidden there
for me an ill, that kills and can’t be seen;

how long ago did Love place in my soul
I don’t know what, born I don’t know where,
come I don’t know how, nor why it aches so keen.

Luís Vaz de Camões, 1595
(translation: Alexis Levitin, 1998)

Source – original poema in Portuguese and English translation [here].

“Quando se leva com os versos na cara” / “When the verses hit you in the face”

[ PT – Português ]

Impossível é não
entender o poema.
Quando se leva
com os versos na cara.

Fernando Aguiar

Excerto do poema “Como quem quer dizer tudo” de Fernando Aguiar. Poema completo [aqui].

[ EN – English ]

Impossible is
not to understand the poem.
When the verses
hit you in the face.

Fernando Aguiar
(unofficial translation by Carlos Afonso)

Excerpt from the poem “As who wants to say everything” by Fernando Aguiar. Full poem [here].

Fernando Aguiar, “Como quem quer dizer tudo” / “As who wants to say everything”

[ PT – Português ]

Como quem quer dizer tudo

Atirar o poema.
De chofre.
Palavras cuspidas.
Cruas. Abruptas.
Materializar o que sai.
Para que se diga.
Objectos em forma
de som.
Lançados com
a raiva da força.
Projectados nos
contornos da voz.
Poética que transmite
fora do tom.
Como quem quer
dizer: con tudo.
Ideia (in)contida
que extravasa.
Veicular o instante
pelo peso das letras.
Empatia subjectiva
que se constitui.

Impossível é não
entender o poema.
Quando se leva
com os versos na cara.

Fernando Aguiar

Fonte [aqui].

[ EN – English ]

As who wants to say everything

To throw the poem.
Suddenly.
Spat words.
Raw. Abrupt.
To materialize what comes out.
To be said.
Objects in form
of sound.
Thrown with
the anger of the force.
Projected in the
contours of the voice.
Poetic which transmit
out of tone.
As who wants
to say: with al(l).
(Un)Contained idea
which spill.
To convey the instant
by the weight of the letters.
Subjective empathy
which is constituted.

Impossible is
not to understand the poem.
When the verses
hit you in the face.

Fernando Aguiar
(unofficial translation by Carlos Afonso)

Source – original poem in Portuguese [here].